Porta em porta...
Ontem saí pra procurar emprego em Lausanne. Daquela velha maneira, com a pastinha cheia de currículos embaixo do braço e batendo de porta em porta. Meu francês não é bom, longe disso, mas digamos que uma conversa básica eu consigo acompanhar. Sabe do tipo:
- Sou estudante de francês, vim do Brasil e procuro trabalho. Aqui vocês têm vaga?
- Não!
-Muito obrigado.
Deixei currículo em sete lugares, que na verdade foram os que aceitaram ficar com ele, nos outros não havia possibilidade. Tem uns lugares que são legais, as pessoas param pra te ouvir e quando percebem que você não é dali fazem um esforço pra te compreender e falam devagar pra você conseguir entender melhor. Pedem seu currículo e dizem que vão olhar sim, que havendo necessidade entrarão em contato. Tudo bem, pode ser que de antemão eles já saibam que não há necessidade alguma e fizeram tudo isso por educação. Pra ser sincero isso faz uma diferença enorme. Outros não te olham nos olhos e te tratam mal.
Quando tava na hora de voltar peguei uma seqüência de portas fechadas que não foi muito fácil, gente estúpida. Voltei até desanimadão, nem li nada direito, jantei e fui dormir. Aí nesses dias a noite é longa, mas quando acorda passa...
Nietzsche dizia que você nunca vai conseguir aprender nada além do aquilo que você sabe pela experiência. Quando eu li não entendi direito, mas ontem fez sentido. Acho que todo mundo deveria por a pastinha embaixo do braço e sair por aí pedindo emprego, no país dos outros, é claro. Manja?, pra aprender a tratar o ser humano melhor.
Na rua tinha uma cara tocando clarineta. Parei por perto. Era do Kosovo. Lugar fudido, guerra separatista e tudo mais. O sujeito vive disso, toca clarineta na rua com o estojinho aberto em frente. Eu desanimado pelo não, imagina o que esse cara passou?
Sabe lá.
Deixei 1 franco...
Escrito por Mateus às 06h14
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